O poder do Retail Design na venda de produtos

Estados Unidos é uma grande potência mundial, principalmente quando falamos em consumo. Seus modelos de promoções são replicados em vários países com a expectativa de aumentar o lucro das empresas, como a famosa Black Friday. O que pouca gente entende é que para conseguir realizar esse tipo de oferta, os outros dias do ano são movidos por vendas mais intensas, resultantes do Retail Design de seu espaço. Isso coloca o lucro em um patamar onde seja possível realizar o saldão do Black Friday sem prejudicar o lucro em grandes companhias como a rede Walmart.

A disposição do espaço é a chave do negócio

As pessoas tendem a comprar e escolher facilmente o que já conhecem, e na maioria das vezes entram nas lojas sabendo o que devem comprar. A escolha do produto em ambiente de varejo não é como em um supermercado, não é só colocar em uma prateleira à vista e o consumidor vai comprar o que precisa. É necessário induzir inconscientemente a compra, e parte disso é pura psicologia do consumo aplicada ao design do espaço, em especial se for varejo.

Jonathan Levav, professor da Escola de Negócios na Universidade de Stanford, especialista em psicologia do consumo, possui diversas pesquisas que explicam a variedade do poder de escolha da mente humana. Uma delas, realizada em meio a um período de crise e decadência do consumo no Estados Unidos, descobriu que a falta de comunicação correta não criava a necessidade de compra nas pessoas, e com isso as empresas passaram a investir na comunicação visual. Outra, realizada como um segunda etapa da anterior, apontou que quando o consumidor está na loja e esbarra em outro comprador ele tende a deixar a loja mais rápido e sem efetuar a compra. Isso fez as lojas aumentarem o espaço nos corredores, a fim de evitar esse contato indesejado. Puro Retail Design.

O ambiente que escolhe pelo cliente

A teoria mais famosa do professor Levav influenciou até o próprio Barack Obama. Conhecida como “gas tank”, ela compara a mente com um tanque de gasolina que vai se esvaziando conforme tomamos decisões diariamente. Lendo sobre isso, o ex-presidente dos Estados Unidos decidiu eliminar as decisões mais simples da sua rotina, como o que vestir ou o que comer, para poder estar focado nas mais difíceis durante o dia. No Retail Desgin das lojas usa-se o mesmo. O cliente já sabe o que quer, mas para onde o ambiente o atrai precisa ter coisas que ele passe a querer.

Quase 60% das pessoas entram nas lojas incertas sobre o que comprar, apenas para olhar os produtos, e é a comunicação do espaço que precisa dar razões para que elas efetuem a compra. Por exemplo, em uma loja de roupas como a Renner os espelhos espalhados no ambiente são o que estimulam o consumidor a experimentar algo. Vendo seu reflexo nos corredores ele consegue imaginar como as roupas ficariam no seu corpo e se aquilo serve para compor seu guarda-roupa, então ele experimenta. Em caso de não necessitar do produto, uma boa oferta é o que o convence da compra, ela escolhe por ele.

Parece impossível, mas é a disposição do espaço e de seus produtos os maiores responsáveis pelo lucro das empresas de varejo. É dessa forma que elas dizem para o cliente que ele precisa adquirir algo. A rede de lojas Clip é um exemplo gaúcho de empresa que apostou no estudo de Retail Design para criar a necessidade de consumo em seus clientes. O moderno ambiente conta com sua expressiva comunicação visual que informa o consumidor sobre tudo que está à sua disposição. Isso impulsionou a Clip a ser a maior Rede de Multilojas do sul do país, e em Santa Maria a Jungton foi a parceira responsável pela produção de toda a sua comunicação visual, da fachada ao interior da loja.